Mensagens

Combatentes Indignados

Imagem
        À Comunicação Social  OS COMBATENTES indignados  Nós não estamos a pedir mais do que nos é devido. Nós queremos que nos devolvam o que a guerra nos tirou: anos de vida, pelo desgaste prematuro; a dignidade estigmatizada no desprezo a que fomos votados pelos governantes da Pátria que juramos defender. Perdemos parte da juventude e dos nossos sonhos ao serviço da Pátria. A guerra nunca foi atraente. Estivemos lá porque somos pessoas de bem-querer à Pátria e a sociedade política nos obrigou. Muitos mergulharam no desespero e perderam a noção da realidade; outros sentiram o sangue a esvair-se sem retorno. Os que regressaram sentiram o abandono e o tormento das maleitas agarradas ao corpo e as visões das emboscadas e dos corpos esfacelados a perturbar as noites mal dormidas e completamente zonzos pelo stress sem redenção. Confrontados com a imensa escuridão do regime que deu lugar à descolonização, às amplas liberdades e profundas...
Imagem
O QUE SE DIZ DA GUERRA COLONIAL No plano das narrativas, temos assistido a algumas bacoradas lançadas a público por meia dúzia de indivíduos que pouco fizeram durante a guerra, portanto sem relação com as vivências no terreno. Pela amostragem, aparecem quase sempre os mesmos, gente que esteve longe dos dramas e das angústias vividas no meio das matas e dos trilhos ou picadas onde o perigo das emboscadas e das minas eram o tormento de todos os minutos. Lamentavelmente, os indícios sobre a tentativa de branquear os erros dos governantes e minimizar o desempenho dos verdadeiros combatentes são evidentes e fazem parte da vergonhosa campanha para justificar o desprezo pelos que sofreram no corpo e na alma os efeitos da guerra e são uma afronta à memória dos “nossos” mortos em combate. Esses arautos da mentira esquecem-se que houve muitas situações trágicas que causaram a morte a mais de dez mil homens cuja missão era proporcionar segurança e bem-estar aos que trabalhavam na retagua...
Imagem
         MORTOS VIVOS Estarmos vivos até pode ser sorte com tanta violência em ascensão carregamos injustiças e medos e não aguentamos o peso do ódio que vai corroendo a humanidade; amolecemos com falta de amor trabalhamos duramente, calados a viver sem fortuna e maus salários, se não defendermos a dignidade seremos como os pobres otários. Militante das justas convenções andei pelo mundo em movimento professando a insigne humildade do saber escutar e dar conselho com a serenidade dum ancião que sabe aos fracos dar a mão; para os amigos mais gulosos sussurro levemente aos ouvidos para terem mais temperança nos vinhos, petiscos e enchidos para viverem melhores anos e gozarem o sabor da bonança. É um privilégio estarmos vivos mesmo que nos julguem mortos,   os bravos heróis nunca morrem partem mas deixam suas obras… percorremos caminhos com idade apegados aos amigos presentes, fazerem...
Imagem
Razão da ida à Guerra Por natureza, nenhum ser humano deseja a guerra. Os antepassados transmitiam o espírito de luta aos mais novos, por razões de sobrevivência, na disputa dos territórios e dos bens necessários ao consumo humano. Naturalmente que as pessoas tendem a defender aquilo que lhes pertence, mas ninguém tem vocação para o sofrimento que as guerras impõem aos seus participantes directos. Admite-se que muitos soldados têm relutância em combater, especialmente quando desconhecem a causa do combate. Mesmo o discurso do patriotismo não funciona para todos os cidadãos de igual modo, tendo em conta as mudanças sociais, a idade, o estatuto social ou a identidade com a Pátria. No caso português, quase todos os combatentes foram empurrados para a guerra em circunstâncias adversas aos seus interesses, com fundamento na preservação do território português, tão propagado pela comunicação social e nos discursos oficiais. As características do povo português têm pouco de guerreiro...
Imagem
O SÍNDROMA DOS EMBARQUES A curiosidade deixa o pessoal preso à amurada e as madrinhas ficam chorosas e até as pedras do cais choram baixinho enquanto os familiares dos embarcados se acotovelam m na esperança de assinalar o último e doloroso adeus! O destino é assim mesmo, incerto, pior do que a provação do adeus será ingrata sorte dos que embarcaram sem saberem para o que vão. Mas nem tudo é tão mau, embora a guerra seja um quadro pintado pela desgraça dos que morrem sem gentilezas da mata que os rodeia. Muitos amores ficam assim abandonados no cais de embarque, mas serão avivados pelas cartas dos aerogramas, salvo se a fatalidade se intrometer pelo meio. Há que ter esperança, afugentando os sobressaltos dos dias mais custosos. As contingências das missões podem safar os embarcados onde tudo é possível. A contar com o regresso, muitos destes soldados acreditam no amor que perdurará até ao reencontro da moça dos seus encantos. Só por ironia do destino o seu fado será atra...
Imagem
   COMBATENTES,                    Porque é preciso avançar para a ÚLTIMA MISSÃO: Prezados Amigos e Combatentes, Combatentes abandonados e desprezados… Porquê? a) - Porque cumpriram o dever patriótico de defender as terras de administração portuguesa onde nasceram e labutaram mais de meio milhão de cidadãos portugueses? b) - Porque foram os mancebos sacrificados nas guerras ultramarinas, onde se debatiam os tenebrosos interesses internacionais? 1 - Porque não houve apoios aos Antigos Combatentes, após a desmobilização? a) – No decorrer das guerras ultramarinas, os mancebos entravam nos quartéis sem perceberem a tormenta que os esperava. A preparação militar nem sempre foi bem encarada e as dificuldades de adaptação eram descoradas pelo regime, porque interessava avançar “rapidamente e em força”. Assim se passaram 13 longos anos de incertezas, sem que fossem valorizados os Antigos Combatentes, mesmo depois d...
Imagem
COMBATENTES - RAZÕES DOS CONVÍVIOS Os danos da guerra são dolorosos e deixam feridas difíceis de curar. Além da destruição dos bens, perdem-se amizades e as relações entre seres humanos não valorizam a vida e a sua essência. É contra todas essas perdas que procuro reagir dando valor à riqueza que nos resta - fortes laços de amizade e camaradagem porque, entre os intervenientes nas guerras, esses valores foram a trave mestra a segurar a frágil condição humana de muitos combatentes, nos primeiros tempos de missão. Alguns perderam a bússola das suas vidas, numa agitação anormal da consciência e das emoções; não fora a mística do companheirismo, a desgraça dos traumatizados teria atingido uma dimensão muito mais grave e penosa para a sociedade portuguesa.        Os jovens que um dia partiram do seio das suas famílias e foram desembarcados nos confins das terras de África, sobreviveram às angústias e aos perigos da guerra, também saberão responder adequadame...