Razões para o Sentido da Vida
As coisas que vemos e queremos mudar…
Francamente, não percebo porque há tanta gente a modificar-se!
Há dias, falava com um jornalista brasileiro, que fez reportagens comigo nas “revoltas” do Kosovo, e logo me afrontou com as mudanças de atitude dos novos jornalistas na busca da verdade: “lembras-te Coelho, quando pretendíamos falar dos acontecimentos das guerras nos Balcãs, organizamos a viagem e fomos ao meio do turbilhão para noticiar com verdade”? Ora, vejo cada vez mais pessoas a alterar as suas rotinas e formas de ver para avaliar os desvarios cometidos pelos governantes caseiros, tal como os mandantes do mundo.
Sempre estive atento, como uma sentinela alerta; sinto desgosto por ver o servilismo estampado nos noticiários que nos enchem as televisões na hora do almoço. Conheço alguns jornalistas com vontade de prestarem melhor informação mas, logo os comentadores “patrocinados” distorcem a realidade dos factos e embrulham as notícias no manto nebuloso das conjecturas e fabulações que nos deixam mais entorpecidos das ideias do que os coitados das vidas sem futuro.
Assim, neste mundo perturbado pelas inteligências irracionais, fico desapontado com os responsáveis pelo ensino e educação dos jovens, que aceitam passivamente os aberrantes programas formatados pelos serventes ideológicos dos ministério. Há alguns anos que estamos perante uma avalanche de instrumentos reformativos manipulados por gente sem as necessárias capacidades para enfrentar o futuro que se apresenta complicado. Das escolas saem pessoas irresolutas, com formações inacabadas, sem capacidade para reformularem sonhos de vida para o sucesso. Pois, aqueles que não tiverem astúcia e força para vencer a melancolia, acabarão por ficar perdidos nas valetas.
Tudo isto me causa tristeza e repulsa; o que mais reforça o meu alento para continuar a ajudar na defesa das causas que contribuam para um mundo mais justo e fraterno.
Vila Nova de Gaia, 20 de Julho de2024 (faço 85 anos amanhã)
Joaquim Coelho
Porque vem ao encontro das minhas preocupações, seguem os seguintes textos:
ESTUDO…
Um terço dos alunos das escolas portugueses mostra sinais de sofrimento psicológico e falta de competências emocionais. O problema agrava-se à medida que a escolaridade vai avançando. As raparigas são mais afetadas. As conclusões são de um estudo do Observatório Escolar e foi feito este ano junto de mais de 8 mil crianças e adolescentes, do pré-escolar ao 12º ano. Também metade dos professores inquiridos demonstra fragilidade psicológica, como tristeza, irritação ou dificuldades em conciliar o sono. O estudo “Monitorização e Ação – Saúde Psicológica e Bem-estar” foi encomendado pelo ministério da Educação e tem um universo de quase 1500 professores, mais de 80% são mulheres.
Por Eduarda Maio - Jornalista
O SENTIDO
Texto inspirado na leitura do livro “O homem em busca de um sentido” de Viktor Emil Frankl, médico neurologista e psiquiatra, nasceu em 26 de Março de 1905 em Viena.
Durante a segunda guerra mundial foi deportado para campos de concentração, incluindo Auschwitz. Quando Frankl foi libertado descobriu que toda a sua família mais próxima tinha sido morta, pai, mãe, irmão e esposa grávida.
O livro baseia-se nos relatos de experiências e acontecimentos nos campos de concentração pelos quais passou, e os “casos de estudo” que ele conseguiu observar, fruto das interações humanas num contexto de privação de vários níveis, como violência extrema, fome, dor física e emocional, morte e vida.
A influência que o poder tem e como se expressa em diferentes personalidades.
Nos campos de concentração as linhas de vida eram muito ténues, pela desnutrição, falta de condições nos abrigos comuns e doenças, Viktor percebeu que os que se entregavam ao desespero, à desistência e à depressão faleciam pouco tempo depois; ele conseguia, até, antecipar essas mortes por comportamentos específicos que os presos tinham quando desistiam da vida.
Em certos acontecimentos extremos, em que ele foi confrontado com a possibilidade da morte, imaginava cenários mentais como, por exemplo, dar a mão à mulher e imaginar-se próximo dela, a dar palestras e ensinamentos em salas para grande número de pessoas. Ele considerou que foram estes os motivos que o mantiveram ligado à vida.
Vivemos tempos de grande holocausto mental, em que as pessoas têm os seus corpos livres, mas as suas mentes aprisionadas. Em que o pensamento reflexivo e critico foi substituído por narrativas de opinião altamente polarizadas e que são repetidas pelas massas de formas totalmente inconscientes.
O vaso está cheio, transbordante, cheio de tudo, menos daquilo que é da própria pessoa.
O Grande Sentido, foi substituído por pequenos sentidos supérfluos, efémeros e vazios.
Liberdade sem um sentido maior e um propósito é degradante, e nós estamos a assistir a essa degradação em primeira fila. A tendência é piorar porque, precisamente, se não temos um propósito transcendente como indivíduos e por consequência como coletivo, as probabilidades são grandes de perpetuarmos estes padrões de guerras, conflitos e divisões, indeterminadamente.
Escrevo este texto especialmente para todos os pais com vista aos seus filhos, é importante guiar as crianças e jovens; para além da educação escolar, é necessário ter em vista um complemento de educação filosófica e moral.
É importante perceber o grande sentido da criança/jovem, daquilo que realmente os liga à vida. Todos nós, sem exceção, temos um sentido, podemos dizer que é o nosso dom, é aquilo para o qual nascemos.
É importante estabelecer uma estrutura nas rotinas da criança/jovem que os levem a ter tempo para desenvolver, de uma forma ativa, esse propósito; e neste caminho, o interessante é que os pais também vão poder beneficiar deste trabalho interior porque muitos dos seus aspectos são revelados através dos filhos.
Este movimento acaba por fortalecer os laços familiares e concede uma estrutura de um valor inestimável para o desenvolvimento e continuidade da vida destas crianças e jovens.
Mais do que dar um bom futuro aos filhos, pela via de bens materiais e valores financeiros, é tão ou mais importante construir em conjunto estas bases filosóficas e morais que geram prosperidade, e que nenhuma intempérie pode destruir.
As nossas crianças e jovens estão a definhar na ociosidade digital, na falta de referências comportamentais reais que as possam inspirar e ajudar no futuro.
Simbolicamente, se a mente morre a morte seguinte é a do corpo; sem um motivo não há razão para viver. Esta estrutura é decisiva, podendo evitar distúrbios comportamentais como o suicídio, as drogas e doenças.
Quando percebermos que a liberdade e o tempo de que dispomos pode gerar benefícios ilimitados, de valor inestimável, não vamos querer abdicar.
Henrique Garcia - 29 de Março 2026
VIDAS MECANIZADAS
Sonhos que inventamos para matar saudades do passado de aventura sem mentira e sem artimanhas; muitas vezes, o sonho não é mais do que uma forma de estar mais perto dos outros e mais longe do nosso próprio ser. O que inventamos contra a monotonia é algo que combate o egoísmo que se apodera de cada um, por um futuro sem miragens em que a luz seja um guia capaz de combater o nefasto fatalismo com que nos debatemos no dia-a-dia, como um tirano da nossa tranquilidade.
Para sermos cada vez mais nós, teremos que combater esta forma apressada de viver à mercê das intempéries da sociedade mecanizada e doentia, que nos enclausuram com exercícios de recalcamentos fantásticos que nos limitam as fronteiras do convívio e da própria existência no essencial da nossa liberdade.
A contrapartida está na coragem de ter fé e avançar seguramente ao encontro dos outros, onde sentimos despertar a magia desta onda de busca dos simples. É aí que está a trajectória que respeita a nossa integridade íntima e nos fará recuperar as imagens da adolescência terna, onde a sinceridade das palavras e dos gestos se contrapõe à repressiva obsessão dos objectos que nos manipulam, artificialmente, contra a perfeição das coisas simples.
Joaquim Coelho, 18 de Maio de 2019








