Ano Novo - Governança em Contramão
A ESPERANÇA DESESPERADA Estamos no limiar do fim do ano que vem como quase todas as coisas importantes da vida: sem pedir licença e com um certo ar de déjà vu. Abre-se o calendário novo, ainda imaculado, como se fosse uma promessa, e fecham-se doze meses gastos, cheios de intenções que ficaram a meio caminho, ideias que envelheceram antes de nascer e projetos que já vinham do ano anterior - esse passado recente que fingimos não reconhecer. Chamamos a isso recomeço. Talvez por pudor. Talvez por medo de lhe chamar repetição. Há sempre essa tentativa íntima de alinhar o futuro: “para o ano é que é”. Para o ano cuidarei melhor de mim, para o ano farei aquilo que adiei, para o ano terei tempo. Mas o corpo, menos paciente do que a imaginação, vai deixando sinais. A saúde já não é uma abstração distante, é um bem negociável, frágil, dependente de filas, senhas e diagnósticos tardios. A idade avança sem metáforas e o tempo deixa de ser um aliado gen...