Criminosos do Costume
. VIDAS NA SARGETA O virtuosismo da vontade afirmada nas acções construtivas desemboca no lirismo das mensagens abstractas que se difundem na beleza das montanhas adormecidas. Mas a realidade que nos cerca encarna a mentira tantas vezes repetida pelos governantes que enjoa o mais resistente desta viagem no mar das desgraças acumuladas. E, a vida começa a perder a suas virtudes, quando o paciente percebe que a razão da sua existência está a mergulhar na escuridão das sargentas que a sociedade lhe arremessa sem retorno. Ora, esse despertar para a nua realidade do fatal momento da entrada no limbo dos aflitos provoca uma revolta tal que pode desencadear reacções inconsequentes e dramáticas. Dizia um amigo psicólogo, com alguma ironia: “se não te cultivas na arte da ratazana, jamais viverás no meio da abundância; serás sempre miserável, um cobarde pagador de impostos; trabalhador no emprego sem glória, tão frágil e imprevisto como as asas das borboletas. Se não endureces as emoções...