quarta-feira, 11 de novembro de 2009

OS DESEMPREGADOS E OS PREGUIÇOSOS


RECURSOS HUMANOS E OS PREGUIÇOSOS

Estão em discussão os aumentos salariais e aumentos de pensões de reforma e outras. Mas é curioso e habitual que esta discussão não interessa aos aumentos dos gestores, administradores e directores das empresas públicas ou privadas, nem tampouco para os governantes e políticos oficializados. Para esses, os aumentos estão garantidos pelas leis e normas feitas por eles próprios e sem qualquer remoque de fiscalização. Basta ver a diferença abismal entre os salários dos operários dessas empresas ou órgãos do Estado e os vencimentos reais dos cabeças de topo.
No mesmo saco dos aumentos salariais para a “raia miúda” estão as pensões de reforma dos que trabalharam uma vida para serem descriminados.
Os iluminados do Banco de Portugal lançam o absurdo alerta de que os aumentos de salários acima da inflacção são um desastre para o país; logo os patrões mais retrógrados aproveitam a deixa e lançam o aviso solene das falências de empresas, por causa dos aumentos de 5 ou 6 euros mensais. Para os inteligentes e conhecedores do valor do trabalho justamente remunerado, percebe-se que estamos perante uma ideia falaciosa e fraudulenta de objectivos que engendram a produtividade com os salários baixos, quando sabemos que as empresas com trabalhadores bem remunerados e bem organizadas estão no topo das empresas de sucesso. A Gestão dos Recursos humanos é perigosamente desprezada pelos empresários e gestores mal formados que são uma praga altamente prejudicial para o desenvolvimento do país e da sociedade portuguesa.

Os recursos humanos são, em qualquer empresa, sociedade ou país, o principal filão da riqueza duma nação. Por irracionalismo ou por uma visão demasiado curta, muitos empregadores desprezam essa parte do valor do seu empregado e os resultados são catastróficos. Diz-me a experiência e o conhecimento do desempenho das boas empresas que um colaborador satisfeito nas funções que desempenha rende o dobro daquilo que se sente obrigado a cumprir como mínimo, porque está desconte.
Quando são as leis do trabalho a promover as condições de trabalho “selvagem” em desfavor das relações de trabalho participadas e responsáveis, com garantias de futuro, é o “salve-se quem puder”, e o país ressente-se da fraca produtividade e todos ficamos a perder. No que respeita às mentalidades dos gestores e à filosofia do trabalho reconhecido, há muito a fazer por esse país fora para aumentar os níveis de produtividade e competitividade.
Por outro lado, há um filão de riqueza completamente desprezado pelos governantes: milhares e milhares de ociosos e preguiçosos, no desemprego e nas prisões, a viver à custa do orçamento do Estado e que poderiam fazer trabalhos de limpeza nas florestas, prestar serviços à comunidade social e tantos outros serviços úteis ao país. Dando ocupação a essa gente, seriam criadas condições de integração dos presos na sociedade, evitava-se que muitos desempregados façam trabalho clandestino e controlavam-se os milhares de vagabundos que vivem às custas do subsídio de reinserção social; com a riqueza assim criada, o Estado teria condições para ajudar muitos milhares de desempregados de longa duração que descontaram para a Segurança Social e que vivem sem qualquer meio de subsistência. Enfim, seriam corrigidas muitas injustiças sociais.
Enquanto se não avançar com este conceito de justiça social, o Estado tratará bem os “vagabundos e ociosos” e maltrata os “trabalhadores” que não conseguem arranjar trabalho.
Ou se mudam as regras da atribuição dos subsídios sociais e se faz uma fiscalização eficaz contra os falsos necessitados ou estaremos perante um caso grave de negligência na delapidação dos recursos financeiros da Segurança Social.


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