terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Os Combatentes e o Futuro dos nossos Netos

 NOTA PRÉVIA:

Por se tratar de uma reflexão abrangente das vidas dos Combatentes das guerras africanas e comparação com o futuro dos nossos netos e gerações vindouras, trago à consideração dos leitores um texto de profunda preocupação e consequências nos modos de vida das pessoas nascidas nos séculos XX e XXI.

Comungo destes princípios de análise de âmbito cultural, social e cívico, pela sua dimensão na formação da sociedade comunitária, para o que procuro contribuir com empenho desmedido com vista a um mundo mais igualitário, esclarecido e mentalmente livre para pensar e agir na senda de melhores condições de vida. 

 

Angelino Santos Silva (a)

16-01-2

NÓS, OS COMBATENTES.

“E O FUTURO DOS NOSSOS NETOS?”- Jota Coelho

• PORQUE NOS TORNARAM PROSCRITOS?


1. Para responder à questão, temos de recorrer à História, não só à que nos diz directamente respeito, mas também à dos nossos pais, ou seja, à história do país do séc. XX.

 A vida é um somatório de passos por caminhos sinuosos com encruzilhadas à mistura. Por vezes temos dúvidas quanto ao caminho a tomar, porém, temos consciência de que temos de prosseguir por um. Noutros, alguém os escolhe por nós sem apelo nem agravo e poucas saídas nos restam para o evitar e sempre com custos elevados.

Nós, os Combatentes pertencemos a este último grupo: perante a maior encruzilhada que a vida nos reservou, alguém nos traçou o caminho e sem qualquer recurso, tivemos que o percorrer.

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Vamos aos factos históricos.

A nossa Geração nasceu no período compreendido entre o início da II Guerra Mundial e poucos anos após o fim da mesma, ou seja, entre 1941 e 1953. Olhamos à distância de 70 ou 80 anos e sentimos um amor incomensurável pelos nossos pais, que nasceram no período compreendido entre o fim da Monarquia e os princípios da I República.

Enquanto miúdos, víamos o enorme sacrifício que faziam para nos subtrair a um estilo de vida de grande dificuldade que lhes era imposto pelo Estado Novo. Nessa época quase metade da população portuguesa era analfabeta, principalmente nas aldeias, sendo que – analfabeto - significava apenas não saber ler e escrever com desenvoltura, porque da vida e do trabalho os nossos pais eram mestres: aos dez anos iniciavam uma profissão, aos vinte sabiam quase tudo sobre a mesma e aos trinta eram mestres na arte que escolheram para ofício. Para um país retrógrado como era o nosso, tal capacidade e empenho significava uma enorme riqueza, não aproveitada por um regime que mantinha pobre o seu povo e fazia da emigração, ou antes, dos dinheiros enviados pelos emigrantes, o seu pote de ouro. Porém, beneficiaram os países que acolheram a emigração, aproveitando a mão-de-obra barata depois do descalabro da II Guerra Mundial.

 

 

Por cá, o esforço e empenho dos nossos pais, também não foram aproveitados por quem tinha o dever de melhorar o nível social do país e acompanhar o desenvolvimento social da Europa do pós-guerra mundial. Aproveitamos nós - seus filhos - cada um por si e todos criamos condições para melhorar a vida de nossas famílias. E assim aconteceu: perante cada encruzilhada que nos foi surgindo após o Serviço Militar, não tivemos grandes dúvidas em escolher um caminho, sempre com os olhos postos no exemplo de nossos pais: os que continuaram a estudar após a 4ª classe (o ensino básico era obrigatório até aos 14 anos para quem reprovava) fizeram-no com o intuito de arranjar o melhor emprego possível e os que foram trabalhar legalmente após os 14 anos de idade, fizeram-no com o mesmo propósito. Todos melhoramos substancialmente as nossas vidas, criamos as bases para erradicar o analfabetismo e os nossos filhos têm hoje um razoável nível de vida. Parte significativa é licenciada e alguns já exibem um doutoramento. Porém, os seus filhos – nossos netos – estão nos antípodas das gerações de seus avós e pouco sabem sobre a nossa missão enquanto Combatentes na Guerra Colonial em África. Tudo é diferente nesta Nova Geração. Aparentemente, os miúdos do Século XXI – aos quais designo por Geração de Cristal – têm tudo ao seu alcance, mas na realidade, perante uma encruzilhada que lhes surja pela frente, já não têm tanta certeza, como a tiveram os seus pais e avós. É claro, que não é por culpa própria, mas sim pelas decisões políticas erradas tomadas pelas elites governantes, que a pretexto de salvar a “economia” criam dificuldades inultrapassáveis para a maioria das pessoas. Esta nova forma de “olhar o mundo“ e geri-lo sob um conceito estritamente económico, - o mesmo que dizer, proteger interesses dos mais ricos - está a transformar a vida dos jovens em uma “caixa de pandora”. No ensino, parte dos cursos académicos estão desajustados às necessidades do tempo actual e de pouco servem aos licenciados, que se veem obrigados a aceitar um emprego para o qual não estudaram, precários e mal remunerados. Além da frustração que tal opção acarreta, os jovens tornam-se permeáveis aos problemas de foro psíquico e o recurso aos antidepressivos é cada vez mais frequente. Portugal é um dos países da Europa com maior prevalência do número de doenças psiquiátricas. No primeiro semestre de 2022 os portugueses compraram perto de 10,9 milhões de embalagens de ansiolíticos, sedativos e antidepressivos, o que representou um encargo para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) de cerca de 32,5 milhões de euros. Em média, venderam-se mais de 59.732 embalagens de ansiolíticos, sedativos, hipnóticos e antidepressivos por dia, totalizando 10.871.282 nos primeiros seis meses do ano, o que representa um aumento de 4,1% face ao mesmo período de 2021 (10.439.500), segundo dados do Infarmed. 


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A pandemia veio acelerar este consumo, sendo que nos jovens se verificou o maior aumento.

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Ao prosseguir nesta forma de “olhar o mundo” ou seja, sob orientação puramente económica, chegaremos a 2030 com uma juventude sem perspectivas quanto ao futuro, com um curriculum académico puramente administrativo que pouco serve, sem emprego ou com emprego mal pago, insuficiente para fazer face à vida. Chegados aqui, teremos a Geração de Cristal transformada na “Geração dos Nem, Nem” ou seja, Nem estudam, Nem trabalham, porque mais vale viver de subsídios. Se isto não for corrigido, a geração dos nossos netos será confrontada com um recuo civilizacional de um século e chegará ao tempo da Monarquia.

2. É muito importante que falemos aos nossos netos. É muito importante que lhes expliquemos, por que motivo existe desde o 25 de Abril, um esforço da parte dos governantes em ignorar os Combatentes e se possível, fazer deles, cidadãos Proscritos ou seja, banidos da História de Portugal.

3. Este esforço tem sido feito por todos os governos com maior ou menor disfarce e todos comungam do mesmo objectivo: passar em branco as páginas da História da Guerra Colonial e nela, a dos Combatentes.

4. Cabe-nos, não permitir que tal objectivo tenha sucesso. Como fazer isso? Escrever. Escrever muito sobre nós, Combatentes.

5. Porque o tempo não pára e porque estamos confrontados com a verdade inquestionável da idade, deparamos com uma nova e derradeira encruzilhada: escrever sobre nós, utilizar as redes sociais falando sobre nós, porque no ensino escolar ninguém o faz.

6. Os nossos filhos também não, porque ao longo da vida familiar pouco falamos sobre a nossa presença em África, absorvidos que estávamos – tal como os nossos pais – a trabalhar para lhes dar um nível social melhor do que o nosso.

7. Entre nós falamos muito, facto que por vezes causava espanto aos nossos familiares, quando nos acompanhavam aos Encontros Anuais e encontros de ocasião.

8. Mas devemos falar mais, porque o tempo urge. Seremos hoje cerca de 250 (580) mil, número com algum impacto, se unidos, coisa complicada num país que se uniu para derrubar o Estado Novo, mas logo se dividiu nas artimanhas dos políticos.

9. Porque, parte significativa de nós anda entre os 70 e 80 anos – os mais velhos já ultrapassaram este limite – daqui a 10 anos seremos talvez, menos de 50 mil, porque segundo as estatísticas é na idade dos 80 em diante que morre mais gente. Não fugiremos a esta realidade, até porque em cima de nós vieram algumas mazelas que nos causaram desgaste físico e psíquico.

10.  De abril de 74 para cá, temos andado divididos entre religião, futebol e política. Tem sido este o desenho bem aproveitado pelos políticos, que sabem que quem não tem potencial para fazer lóbi, fica irremediavelmente para trás. E assim tem acontecido e acontece com os Antigos Combatentes, disfarçado com esmolas que “desarmam” alguns.

11.  Se nos achamos injustiçados e entendemos fazer alguma coisa, está na hora de encontrar o caminho, porque o tempo urge e já não teremos outra encruzilhada pela frente. Esta será a última das nossas vidas.

 

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• Quanto à pergunta, PORQUE NOS TORNARAM PROSCRITOS?

A resposta é fácil: depois de manipuladas e arregimentadas as gerações que fizeram a Guerra Colonial e por consequência, a divisão do grupo de Capitães/Combatentes, que se tinham unido para derrubar o Estado Novo, nenhum dos governantes conheceu a guerra colonial portuguesa em África.

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Um abraço a todos Combatentes.

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Angelino dos Santos Silva - (a) Escritor

Combatente na Guerra Colonial Portuguesa na Guiné-Bissau

 


 

 

 

domingo, 1 de janeiro de 2023

Por um Futuro com Dignidade Humana

 Compromisso de Trabalho Solidário

Aos meus Familiares, Amigos e pessoas de boa vontade, neste Novo Ano de esperança, em parceria com os companheiros de jornada solidária, deixo o compromissso sério de continuar a minha prestação e empenho na melhoria da saúde e bem-estar solidário, bem como nas sugestões capazes de prevenir e ajustar a vida de cada um às contingências provocadas por decisões e acções reconhecidamente prejudiciais para a comunidade da sociedade humana mundial, de que são exemplo as considerações e pareceres abaixo transcritos. A luta é importante, mas continuamos a acreditar que vale a pena, tal é a opinião dos milhares de pessoas a quem dedicamos o nosso trabalho solidário no país e na emigração.

RICOS E POBRES – QUE DIFERENÇA desde 2000

 Em 2002, o Prémio Nobel da Economia foi atribuído a Amartya Sem, que se expressou com a seguinte frase:

 Aqueles que protestam contra a globalização, centrando as atenções nas desigualdades do mundo, merecem ser ouvidos e não agredidos.”

 1 - Bill Gates, usando a poderosa arma das tecnologias, é o principal promotor da globalização, em sintonia com as directrizes dos gurus do mercado globalista e donos absolutos das riquezas produzidas pelos trabalhadores que controlam através das regras impostas pelo sistema capitalista ao serviço da hegemónica estratégia dos Estados Unidos da América. Sistema manipulado de modo a proteger a elite financeira que lucra e domina o mundo, porque as tecnologias enriquecem os poderosos e marginalizam os pobres.

Curiosamente, é no país dito mais rico do mundo que temos o maior fosso da desigualdade entre ricos e pobres, com a riqueza acumulada em poder de 2% da população e a pobreza atingindo cerca de 30% de americanos.    

A especulação financeira nas bolsas de valores é um cancro da sociedade, dando cobertura aos maiores desvios de dinheiro para Offshores e paraísos fiscais, com a consequente fuga aos impostos, através de esquemas geridos por gurus dos "esquemas" que enriquecem com o dinheiro dos negócios das acções, bem como da exploração dos trabalhadores produtivos.


2 - Defraudar a Europa no preço do gás, como faz os EUA, é ganância autodestrutiva, afirmam economistas…

Nelson Garrone - 15 de setembro de 2022

Após se submeter a sanções à Rússia ditadas por Washington, a Europa sofreu cortes no gás russo e ampliou a aquisição do produto dos EUA a preços exorbitantes e agora debate-se com acelerada recessão. Economistas apontam que essa ganância vai ser destrutiva também para a economia norte-americana.

Citando a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, o próprio The Washington Post ressaltou que uma paralisação completa das exportações russas de petróleo afectará gravemente a economia dos EUA, dando um novo impulso aos preços globais da energia.

Mas esta não é a compreensão da Casa Branca, para quem o agravamento da crise na Europa será “modesto” internamente, apegando-se a alguns economistas do país, que acreditam ser a “recessão europeia positiva” para os Estados Unidos.


A ganância instituída nos governantes americanos permite aumentar substancialmente os lucros com as crises e pandemias. As parcerias comerciais com a União Europeia, para 2023, são a prova mais visível da hipocrisia negocial americana, quando quer continuar a penalizar a Europa em 9 pontos sensíveis das trocas comerciais e financeiras; tais como o preço do gás que oscila à volta do triplo dos custos correntes do fornecido pela Rússia e outros países do norte da Europa.


A União Europeia submete-se ao gás natural mais caro imposto pelos EUA:

Por Federico Pieraccini

Uma das batalhas energéticas mais importantes para o futuro está a ser travada no campo do gás natural liquefeito (GNL). Enquanto isso, um pouco à maneira do dólar norte-americano, o GNL está a transformar-se numa ferramenta que Washington pretende utilizar contra Moscovo à custa dos aliados europeus dos Estados Unidos. A recessão e consequências gravosas para as populações europeias vão demorar anos a recompor-se e deixam feridas sociais e na saúde difíceis de sarar.

 

3 - ANOTAÇÕES da RTP:

“Não são palavras à toa: "os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres". É que, apesar do contínuo desenvolvimento económico, as desigualdades na distribuição da riqueza continuam a acentuar-se. A pandemia da Covid-19 agravou a situação e estima-se que só as alterações climáticas venham a contribuir com mais 100 milhões de novos pobres até 2030.”

“Apesar do progresso significativo que se verificou nas últimas décadas, cerca de 10 por cento da população mundial vive em situação de pobreza extrema – com menos de dois dólares por dia. O objetivo estabelecido pela comunidade internacional era reduzir a pobreza mais grave para 3 por cento até 2030. Mas os abanões cíclicos da economia mundial e a pandemia adiaram esse objetivo. Além disso, os modelos económicos vigentes têm vindo a intensificar, nos últimos anos, o fosso entre ricos e pobres, criando maiores desigualdades sociais.”

“Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), mais de 10 por cento da população mundial vive com severas dificuldades para ter acesso a recursos básicos de saúde, de educação, água e saneamento. As áreas rurais são particularmente afetadas e as mulheres, bem como as crianças, continuam no topo da lista dos pobres mais pobres.”

Esta “lição” inspira-se nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) um conjunto de prioridades e aspirações globais para 2030. Definidos pela Assembleia Geral das Nações Unidas, os ODS visam erradicar a pobreza e criar uma vida digna e com oportunidades para todos, e exigem o envolvimento de governos, empresas e sociedade civil, à escala mundial.

NOTA DO AUTOR:

Ora, as promessas do desenvolvimento em favor dos pobres jamais serão cumpridas, porque estão condicionadas pelos objectivos do lucro para os mais ricos que dominam o mundo financeiro, através da especulação nas bolsas e desvio dos lucros para Offshores.


17 out, 2022 - 07:00 • Filipa Ribeiro

Cerca de 4,5 milhões de portugueses tinham rendimentos abaixo dos 554 euros mensais, em 2020. No primeiro ano da pandemia, a pobreza em Portugal aumentou cerca de 12,5%. Portugal é o 13.º país mais pobre da União Europeia.


Mais de 100 milhões de pessoas enfrentam a pobreza na União Europeia

De  Isabel Marques da Silva  

 José, desempregado espanhol, e Eeva-Marie, trabalhadora a meio tempo finlandesa, estão entre os 113 milhões de pessoas que enfrentam a pobreza e a exclusão social na União Europeia, equivalente a 22,5 por cento da população do bloco comunitário (dados do Eurobarómetro, 2019).

Em 2021, 21,7% da população da União Europeia (UE) estava em risco de pobreza ou exclusão social, uma ligeira subida face aos 21,6% do ano anterior, segundo dados divulgados pelo Eurostat.

Em 2021, 73,7 milhões de pessoas na UE corriam risco de pobreza, 27 milhões estavam em situação de privação material ou social severa e 29,3 milhões viviam em agregados com baixa intensidade laboral ou miséria extrema.

A Roménia (34%), a Bulgária (32%), Grécia e Espanha (28% cada) foram os Estados-membros com maiores taxas de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social.

Em contraste, as menores taxas de pessoas em risco foram registadas na República Checa (11%), Eslovénia (13%) e Finlândia (14%).

Em Portugal, em 2021 havia 22,4% de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social (20,0% em 2020), a oitava maior taxa entre os Estados-membros e acima da média da União Europeia (21,7%).


Atualmente, a União Europeia é vista como estando a trabalhar em favor dos mercados, mas não das pessoas.

Sian Jones Coordenadora, Rede Europeia Anti-Pobreza

 NOTA:

Perante o alinhamento da União Europeia com os Estados Unidos da América, nós por cá seguimos tristemente para essa calamidade de miséria social.

Joaquim Coelho

                     

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Por que os EUA têm os piores índices de pobreza do mundo desenvolvido.

Por Gerardo Lissardy - da BBC News Mundo em Nova York

Este é um dos grandes paradoxos dos nossos tempos: os Estados Unidos, país mais rico do mundo, têm alguns dos piores índices de pobreza no grupo dos países desenvolvidos.

Mais de meio século depois que o presidente Lyndon B. Johnson declarou "guerra incondicional à pobreza", os EUA ainda não descobriram como vencê-la.

Desde a declaração de Johnson, em 1964, o país teve conquistas surpreendentes, como chegar à Lua ou gerir a Internet. Entretanto, nesse período, conseguiu uma tímida redução no índice de pobreza, que caiu de 19% para cerca de 14%. Isso significa que mais de 40 milhões de americanos vivem abaixo da linha oficial de pobreza.


4 - Desigualdades globais

A euforia dos gestores das tecnológicas em apresentarem as suas previsões para o século XX, deixaram os economistas sérios e realistas, estupefactos e inquietos. Porque libertos das pressões dos grandes grupos económicos, apresentavam teses pessimistas quanto aos benefícios da globalização tecnológica, do desenvolvimento da inteligência artificial (AI) e da qualidade de vida sustentável para diminuir as desigualdades.

Vinte anos passaram e os resultados dessa euforia estão bem visíveis na sociedade, com o agravamento dramático das desigualdades e grandes constrangimentos no desenvolvimento social, na educação cultural e cívica, na saúde e na justiça. Em vinte anos, as desigualdades sociais triplicaram e os ricos aumentaram exponencialmente e as riquezas acumuladas demonstram a ganância dos poderosos em açambarcar cada vez mais, em prejuízo dos pobres que se multiplicaram e estão cada vez mais pobres.

Perante esta cultura iníqua do acumular de riqueza, a sociedade corre o risco do colapso social e político. Ora, as oportunidades adquiridas com as tecnologias, as ciências e as economias sociais estão viradas para a injusta satisfação dos mercados de valores que proporcionam riquezas desmesuradas para um reduzido número de oportunistas, quando os seus benefícios deveriam ser partilhados pela população com menores recursos educacionais e sociais.

Existem forças antagónicas desproporcionais na luta por uma sociedade mais igualitária. Os que defendem que os “mercados” devem funcionar sozinhos, sem restrições legais ou governamentais na regulação de preços, entendem que assim tudo está bem! Os que entendem que a globalização sem regras é a principal causa das desigualdades e das angústias do mundo, provocando um ambiente sombrio onde se escondem os desprotegidos e se endeusam os poderosos com as riquezas consideradas imorais.

Muitos especialistas reclamam reformas estruturais necessárias para combater as desigualdades, mas os governos e reguladores da economia de mercado ignoram os seus rogos, porque os fluxos financeiros beneficiam quem governa e quem está nas instituições reguladoras.

O economista americano James Tobin, prémio Nobel da Economia em 1981, propôs um imposto sobre as transações financeiras internacionais, cujo resultado seria aplicado em reformas para reduzir as desigualdades sociais. Embora alguns países lhe dessem atenção, só a França pretendeu aplicar tal taxa em 2011, como forma de reduzir os efeitos da crise financeira mundial em curso. O milionário George Soros defendia que a dita taxa deveria aplicar-se apenas às instituições publicas. Os resultados foram nulos e a globalização continuou a ignorar as medidas estruturais necessárias para reduzir as desigualdades, disponibilizando mais apoios para irradicação da pobreza, capacitando as pessoas com mais educação e formação profissional, com melhores condições de acesso à saúde.

Vinte anos depois, as desigualdades continuam em expansão, com países ricos, como os Estados Unidos, sem segurança social nem assistência na saúde acessível aos carenciados, porque as companhias de seguros engordam com as apólices vendidas aos mais endinheirados. A vida dos outros depende de resistirem ou não às doenças e ao espectro da fome.



Ora, estamos perante um mundo sem conserto, porque os acordos do comércio global favorecem sempre os países mais ricos e os negócios das armas proliferam dramaticamente para enriquecer os poderosos grupos armamentistas, sendo os Estados Unidos beneficiados com mais de 50% de armas vendidas, seguidos da Inglaterra e da Rússia, parte das quais servem para desestabilizar os países pobres de África, Médio Oriente e América Latina, onde as populações sobrevivem sem esperança de futuro. 


 5 - Esperemos que 2023 nos traga mais estabilidade social para melhoria das condições de vida, numa sociedade cada vez mais globalizada, onde as oportunidades sejam acessíveis e proveitosas para todos. Temos esperança no fim das guerras que atormentam as populações em debandada, acreditando que uma nova ordem mundial, mais humanista e justa como factor de paz e de progresso na prosperidade.

Há sinais evidentes de que o sistema liderado pelos Estados Unidos da América está esgotado como padrão do desenvolvimento humano, porque cresceu através do assalto programado e tenebroso às matérias-primas dos países mais fracos e corruptos, produzindo lóbis dos muito ricos e uma multidão de pobres e indigentes. A ascensão económica e tecnológica de países com políticas mais sensíveis às necessidades e ao bem-estar das populações são promissoras; pelo que, a Nova Ordem Mundial passará pela China, India, Paquistão, Taiwan, Brasil e países da órbita de influência russa.  


  A China apresenta melhoria no desenvolvimento sustentável, com um crescimento económico anual na média de 7%, embora tenha piorado em questões ambientais.

 Por Laís Modelli, G1

 Dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Uidas, país avançou em 13, como aumento da educação e erradicação da pobreza. Contudo, piorou em 4, como combate às alterações climáticas e busca pela igualdade de gênero, segundo artigo publicado na 'Nature'. A China é dos poucos países com programas eficazes para a resolução das desigualdades e protecção social das pessoas.

A nível nacional, a China avançou nos seguintes objetivos:

  • Erradicação da pobreza,
  • Educação de qualidade
  • Fome zero
  • Boa saúde e bem-estar
  • Água limpa e saneamento
  • Energia acessível e limpa
  • Emprego digno e crescimento económico
  • Indústria, inovação e infraestrutura
  • Redução das desigualdades
  • Cidades e comunidades sustentáveis
  • Vida sobre a Terra
  • Paz, justiça e instituições fortes
  • Estabelecer parcerias para alcançar as metas.



6 - Rico e Pobres – Porquê?

 Nos últimos tempos, temos sido atormentados pelas crises que nos tolhem a qualidade de vida; crises reais e crises inventadas ou programadas pelos poderosos que governam o mundo à medida dos seus interesses e acumulação de riqueza.

Estamos sendo atormentados pelas crises e atrofiados pelos noticiários deprimentes e deliberadamente mentirosos. Os poderes ocultos têm em desenvolvimento as poderosas máquinas trituradoras dos direitos humanos, criando acontecimentos e situações propícias aos impiedosos interesses antagónicos à prosperidade das pessoas comuns, que trabalham e produzem para satisfazer a agenda do capitalismo obscuro.

Ora, a realidade da engrenagem confirma que ninguém sai das crises como entrou: ou se sai mais forte ou se fica mais fraco e pobre. Somos nós que temos que entender os contornos da engrenagem e saber enfrentar os poderosos com capacidade criativa e determinação, antes de ficarmos irremediavelmente fragilizados e inúteis. Se não aproveitarmos a energia de grupo para nos organizarmos e não nos impusermos com afinco e determinação consequente, ficaremos ainda mais pobres em direitos sociais, na saúde, na educação, no trabalho e na segurança da liberdade com dignidade: caminho agendado para definharmos até à escravidão, prevista para 2030.